quinta-feira, outubro 05, 2006

Nessa nova fase...

Faz-se necessário encerrar a anterior. Encerrar bem cerrada dentro e tirar dela só o melhor. Estou tentando fazer isso. E fazer bem feito.
Começo nova fase em outro lugar, com outras cores, outros sons e outros sonhos. Isso pede mesmo mais espaço, não cabe junto às coisas que se foram. Não gosto de longos textos de despedida. Fim de blog. Agradeço muito a companhia de quem esteve sempre por aqui :)
E sobre a nova fase, me encontrei nestas palavras:

A vida tem duas faces: Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Assim eu vejo a vida, Cora Coralina

segunda-feira, outubro 02, 2006

Acidente?

Enquanto os militares enfrentam a selva e a chuva para resgatar 155 corpos, enquanto não sabe-se o conteúdo das caixas pretas do boeing da GOL, enquanto as famílias das 155 vítimas esperam... por um milagre ou pela última despedida; gostaria de saber:
  • Como é isto dos passageiros e tripulantes do Legacy não terem visto nem ouvido nada da colisão se mesmo uma forte turbulência faz barulho dentro de um jato?
  • Terão sido também eles contaminados pelo vírus "eu não vi nada - eu não ouvi nada - eu não sei de nada" que circula em Brasília?
  • E por quê permite-se que todos os passageiros de um jato de táxi aéreo utilizem aparelhos eletrônicos durante um vôo se nos vôos domésticos das grandes companhias aéreas a utilização desses aparelhos é expressamente limitada?
E os kaiapós, povo forte e guerreiro, estão na serra ajudando nas buscas. Generosidade e honra. Eles sabem que nossa terra é boa mãe mas nestas horas é cruel com quem não a conhece.

TAP(eadores)

Eu bem que queria fazer um texto como se deve sobre meu regresso ao lar que não é mais tão meu.
Gostaria mesmo de escrever sobre como é irritantemente bom sofrer esse calor amazônida de outubro ou sobre como é bom ouvir minha língua com sotaque e inflexões das vozes queridas, sobre a emoção de ver os romeiros de longe chegando na cidade ou de tomar um prato cheio de tucupi mas... a viagem de volta foi degradante demais.
O que deveria durar pouco mais de 20 longas e cansativas horas, com escalas e trocas de avião incluídas, durou mais de 48 horas. E tudo por quê? Porque este ser desprezível que sou insiste em querer parar, ao menos por umas horas, em Lisboa mesmo sabendo dos rotineiros atrasos da TAP Portugal. O que eu não sabia é que os atrasos, assim como os serviços e a deseducação do pessoal de bordo da companhia, tinham piorado SIGNIFICATIVAMENTE entre 2005 e 2006.
Nem mesmo os taxistas de Lisboa querem ser pagos pelos TAPeadores! É mole?! Eles se recusam a levar os passageiros vítimas dos atrasos da companhia para os hotéis designados! Dizem que a os TAPeadores pagam uma tarifa baixa demais pelas corridas e os otários que, como eu, quiserem desesperadamente chegar até um hotel e desmaiar de cansaço sobre uma cama, devem pagar dos próprios bolsos as corridas ou humilhar-se o bastante para comover algum taxista mais caridoso!!!
Estou ainda transtornada. Fecho os olhos e lembro dos absurdos que tive que ouvir daqueles miseráveis da TAP... e nem vou falar do tratamento recebido no hotel VipArt's de Lisboa que é para não vomitar.
Racistas de merda há por toda a parte, sabe-se, mas há povos (ou frações de povos) que, pela própria história e pela própria condição, não poderiam mais se permitir tamanha pequenez.
Uma coisa é certa: a cor de meu rico e suado dinheirinho Lisboa e TAP não irão mais ver.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Sol de setembro

Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos...
Dois meses incompletos... que mais parecem dois longos anos. Estou destreinada. Não sei por onde começar. Do começo? Quero contar o principal e mais nada.
Setembro sempre me traz essa sensação de fim de ciclo. Mudança. Suave ou não. Podem dizer que tem a ver com a primavera do Brasil mas eu não sei o que é isso. Venho de onde ha somente 2 estações.
Cheguei aqui no fim de julho e chegar foi fulminante para ambos. Agosto correu como um velocista em final de olimpíada. Entre trabalho e amor, só sobrou espaço pra uns telefonemas para família e amigos.
E agora?
Depois de erros e acertos, sorrisos, gargalhadas, cafés, spaguetes, lágrimas, abraços e porquês, a mala está por ser feita. Pequena. Vai mais vazia do que veio. Mas ainda tenho muito mais malas por fazer em outubro. Volto pra casa. E minha casa mudou de lugar.
Quero a segunda parte da canção e todas mais que eu tiver para cantar.

Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez
Já sonhamos juntos semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar
Já choramos muito, muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer
Sol de primavera abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
só nos resta aprender.

(Sol de Primavera, Beto Guedes)

quinta-feira, agosto 03, 2006

A quem interessar possa:

Estou muito mas muuuuuuuuuuuuito bem!

domingo, julho 23, 2006

De partida...

Amar é bom mas amar e ser amada é muito melhor! Parece frase de livro de auto ajuda mas, antes disso, é fato.
Minha mala está quase pronta. Amanhã, à esta altura, já vai estar fechada. Mais uma vez, deixo meu quarto, minha casa, meus amores. Vou lá ver o que me chama e espera. E escreve, telefona, pede, declara, sorri...
Já estive mais nervosa... ontem. Agora, parece que o nervosismo passou mas sei que quando acordar amanhã, meu estômago vai fazer greve. As partidas me tiram a fome e o sono mas não perdoam a minha coluna. Arrumar a mala é sempre uma trabalheira! E acompanhando o cansaço virá o medo das longas horas enfiada em aviões.
Mas vai ser bom ver o céu de Lisboa mesmo que por pouquíssimas horas, sentir o burburinho de Roma invadida pelos bárbaros turistas, ouvir a cantoria de vozes na minha Napoli... e depois descansar os olhos no golfo mais lindo da Itália... aquele de Salerno!
Este blog está oficialmente fechado para balanço da estação.
Dou notícias assim que puder. Espero poder em breve ;)

sexta-feira, julho 21, 2006

Berlinetta azul

Acho que este espaço está ficando com cara de reminiscência e não sei mais o que fazer para não cair na mesmice da nostalgia. Acho até que já caí. Putzzzz...

Mas vou escrevendo os textos que acontecem e nada posso fazer se há períodos - infelizmente longos - em que me pego rememorando até os detalhes de dias que se foram. Ultimamente, isso é uma constante... bem constante mesmo!

Acho que é porque tenho pensado muito nas crianças de hoje e nessa infância meio solitária que os pequenos nascidos dos anos 90 pra cá têm tido que viver.

Repleta de jogos eletrônicos violentos ou complexos, com pouca árvore para subir, poucos rios por nadar, poucas manhãs a correr com os amigos, poucas brincadeiras a imaginar, poucos papéis e tintas para colorir a vida; essa infância que vem redundando em muitos adolescentes problemáticos, com laços afetivos frágeis e em jovens cada vez mais individualistas e fúteis.

Não que a minha geração tenha gerado somente pessoas politicamente conscientes mas pelo menos, antes, nós sabíamos olhar em volta e procurar os porquês, ponderar, questionar, protestar, ir para a passeata se fosse preciso.

Meia entrada nos ônibus, nos cinemas, em eventos, direito ao voto em conselho escolar; tudo isso veio de lá, dos 30 anos que se foram 70, 80, 90. E a geração atual que não sabe de onde veio o que tem, não dá o devido valor e já começa a perder direitos adquiridos.

Juventude enfraquecida além de desorganizada...

Isso tudo aí é falta de uma boa bicicleta na infância!!! Falta uma Berlinetta azul como era a minha. Falta de asa pra voar! :)