quarta-feira, setembro 28, 2005

Manhã de fim do mês

Mulher triste, sem namorado.... e sem grana é d-e-p-r-i-m-e-n-t-e !!!

Não dá nem pra ir dar aquela voltinha básica e fazer um pouquinho de shoppingterapia à esta altura do mês. Ok, ok... o cartão de crédito - essa navalha! - deu uma piscadela pra mim... mas não posso dar bola. Vou ser forte! Tô com a corda no pescoço. Gastar mais agora seria me enforcar de vez.

Ainda tenho pensado na proposta pro fim do ano e zarpar pra Milano mas não sei se vai dar... tenho coisas chatas pra fazer por aqui até março e aí já vai ser tarde demais. Mas tenho fé que algo de bom vai acontecer pra me fazer entrar bem em 2006!

Para o ano, eu quero ao menos dar paz ao meu coração. Se isso for possível, já tá de bom tamanho! Um novo e bom emprego também ajudaria mas pobre nunca tem tanta alegria assim, de uma só vez...ehehe...

Veremos.

Hoje, quase chorei pensando na cachorrinha pop star que morreu. Tão fofa que ela era. Gostava mais de ver a Belinha do que a Ana Maria Braga na tv! Uma olhadela porém... porque tempo pra acompanhar nem sempre sobra. Mas que era uma fofura ahh isso era! Lembrei do meu amigatinho que morreu quando eu estava longe. Nós somos responsáveis pelo que cativamos... eu não fui assim tão responsável pelo meu amigato. Mea culpa, mea maxima culpa... e hoje, eu tô aqui sem ele a rolar no sofá e me olhar como quem quer dizer muitas coisas... e dizia!

E foi assim que hoje me deu pena da Ana Maria Braga! Só espero que não resolvam colocar outra cachorrinha no lugar da Belinha!!! Seria o ápice da insensibilidade...

Já que estou só em casa esta manhã, vou tentar acompanhar um pouco as notícias da TV! Faz um tempinho que não faço isso comodamente do sofá de casa! Tem coisa melhor do que poder mudar de canal centenas de vezes sem ninguém pra encher os pacová?;-)

Quem será que vai ser o novo Severino? Acho que vai ser o tal Nonô. Isso lá é ome de gente?! Coisa de político barato... vai ver que é mão de vaca como aquele "seu Nonô" de uma velha novela da Globo. Por falar em novela, eu não aguento maaaaaaaaaisss "A Merreca" como dizem os cassetas... e as cenas em que Sol ou Tião ficam olhando o boi bandido, então?! Não entendo porque tanta gente tem que ficar meditando olhando o pobre do boi, que aliás, deve já estar stressado com essas gravações.Vou lançar a campanha "deixem o boi bandido em paz"!!!

E no rádio tão tocando a única coisa que eu gosto nessa novela... a música do Boublé, chamada "home".

Woooowww... parece que advinharam! Adoro mesmo essa música :-)

sexta-feira, setembro 23, 2005

Say a little pray for us

Esta noite, vou rezar pelos indianos, pelos filipinos e - Oh, yes, I will ! - pelos americanos.

Que desgraça esses furacões! Ai, New Orleans... esse Rita agora! Mais um desastre, mais sofrimento...

Depois do Tsunami, às vésperas do natal no ano passado, ainda não vi caneta e papel nas mãos do mundo pra fazer a lição de casa e parar de destruir esta casa. Resultado: mais furacões, mais sinais, mais lições...

aprendidas?

Instável

Sem vontade de pensar, de falar, de escutar, de ler - pra não ter que pensar - , sem vontade até de escutar meus Cds. Como diria o Marcelo Nova,"isso é só o fim"! Falta de vontade de escutar meus Cds me cheira a doença. Cruz credo! O alarme soou e me pus de pé mentalmente. Cambaleante mas de pé.

Ontem e anteontem, tive recaídas de burrice ao final do dia. Comecei bem os dias e terminei com os olhos vermelhos e doloridos. Odeio chorar. Mas acalma. Esavazia. Não resolve a dor mas ajuda a seguir adiante sem agravar a gastrite. Hoje, tô num dia seco mas os dias anteriores também começaram assim. Acho que é a lua. Cancerianos sofrem muito a mudança da lua. Tudo bem que sou taurina mas, depois dos 25, dizem os astrólogos, o ascendente toma conta do humor da gente. Será? Resta o fato: não me acostumo a esses dias instáveis. Sou taurina, ponto.

Se começo o dia odiando aquele cara, quero terminar o dia ainda odiando o dito cujo ou, ao menos, sem nem lembrar que ele existe. É pedir demais?! Mas não, ultimamente, eu começo sem pensar e termino chorando uma mistura de saudade, tristeza, raiva dele e raiva de mim. Voltei a patetar acordada, vê se pode?! Logo eu que detesto flashbacks! Ufff... Mentirinha... adoro flashbacks mas desse filme eu já tô de saco cheio! Tava bom demais pra ser verdade aqueles dias de secura total!

:-(

Mas vai entender! Os meus dias estão tão estranhos que até o leão mandei pastar. Muito simpático ele... comigo e com toda a torcida feminina do Milan! hehehe... mesmo só pra tirar uma telha do meu telhado, ele teria que ser menos popular. Paciência. Que fique como está até que mude se tiver que mudar! Não acredito que mude mas considerando a lua...

terça-feira, setembro 20, 2005

Mãe é mãe...

Ai ai... mães...

a minha hoje tá um saco. Aliás, esta semana ela tá uma mala pesadíssima.

Me fez montar um móvel ontem correndo só pra não ter o desprazer de ter que escutá-la o resto do dia reclamando que nunca fazemos o que ela pede na hora que pede. Mas ela nem dá tempo! Chamou? Tem que vir já não daqui à 2 minutos! Essa urgência me aborrece. Ainda mais depois d'eu ter morado só. Acho que, no fundo, ela ainda se vinga um pouco do tempo que me teve longe fazendo-me ver que quem manda agora é ela. A casa é materna...

Quando eu tô longe me mordo de medo que aconteça algo a ela longe de mim, quando eu volto me trata feito rainha por um mês e depois volta tudo ao normal, ou seja, ela manda eu obedeço... quase sempre.

Controladora, manipuladora, dramática... minha mãe é muito carinhosa, boa e até altruísta no dia a dia mas quando ela quer algo, sabe cobrar e jogar na cara até os alfinetes do relacionamento com o s filhos. Comigo principalmente. Filha mulher parece que tem um débito maior. Filho homem é outra história.

Quando eu tava fora, nos telefonemas, ela tinha a coragem de ficar todo o tempo se queixando e falando das preocupações com meu irmão e esquecia de perguntar como eu tava! É mole? No fundo,ela sabe que sei me cuidar e isso a irrita profuuuuuuundamente! O filhinho, não. Ela ora quer que ele cresça, ora quer que ele seja dependente dela. Resultado: um filho com quase trinta anos, cheio de manias infantis, idéias mirabolantes, zero de praticidade, que gasta mais do que recebe, gasta mal, gasta só com namoradas; e come, bebe, dorme, anda as custas dos pais.

Moraria com meu pais mesmo que tivesse dinheiro pra morar só. Morei longe deles um tempo e gostei mas não saí de casa por independência. Mesmo assim, minha mãe me tortura de vez em quando... ontem e hoje de novo!

Se ela não melhorar de humor logo, acho que vou ter um treco :-(

quarta-feira, setembro 14, 2005

Mais um dia

Novos dias velhos assuntos...
Com uma ou outra variação, minha vidinha tem sido quase totalmente uma repetição de dias.

A novidade é que o cara parece cada vez mais fora, out, sem chance no meu coração e, mesmo assim, em alguns momentos, ainda sinto o nó na garganta de quem vai desatar a chorar tudo de novo. Mas é diferente. Na verdade, não é mais ele e as escolhas dele mas sim a dor dos meus próprios erros que aperta o nó.

Ao mesmo tempo, tenho tido momentos de alegria sincera com o leão do telhado. Muito antenado, cheio de idéias, viajado, arejado, engraçado, sério e brincalhão, atiradinho é verdade... mas é, ao mesmo tempo, de uma timidez encantadora. Tem uns piercings nas orelhas porém. Detesto admitir mas sou careta pra essas coisas. Isso de homem ter mais penduricalhos do que eu não me agrada. Mas os piercings dele são bem discretos. Pra quem não tava afim, até que eu tô bem satisfeita... hehe...

Tenho uma ponta de medo de atropelar um pouco este momento. Os psicólogos dizem que a dor da perda deve ser esgotada. Aliás, os psicólogos dizem cada coisa... e tem doido que paga pra ouvir! Mas não fui eu que pedi pro leão cair no meu telhado. Até joguei água nele!

Ói, Deus, o senhor tá vendo que eu não chamei... depois não quero levar palmada de novo não :-(

Enfim, não sou eu que escolho o ritmo da vida. Paciência!

domingo, setembro 11, 2005

L' aurora!

O gato voltou pro telhado. Encimesmado e relutante, acho. Mas voltou.
Depois de meia hora, fez até umas gracinhas, ronronou, ficou felizinho por ter conseguido tirar a primeira telha porém ele que não vá pensando que vai destelhar tudo rapidinho. Minha culpa já passou mas a maldade não!

Detesto homem empolgado, que vai logo achando que tá abafando só porque ganhou um pouco mais de atenção. Preciso é aumentar meu índice de maldade para com os seres masculinos, bem ao estilo Che Guevara, endurecer sem perder a ternura. Ou seja, tenho que conseguir ao menos fingir que não sou boazinha. Tarefa mais dura! Meu passado bondoso me condena. Meus chifres estão tão altos...

Domingo, é aquela coisa... bobeira geral. Meu pai e meu irmão dando uma geral nos carros. Homens! Depois do primeiro carro, nunca mais são os mesmos. Esquecem que têm pernas. Meu irmão tá tão preocupado com o motel ambulante dele que fico de saco cheio só de olhar. Dá nojo mesmo. Ele limpa aquele carro umas 2 vezes por semana. Por dentro e por fora! Acho que vai é dar ferrugem...

Eros Ramazzotti canta nel mio stereo. Minha adolescência está melhor expressa nessa voz fanhosa do que na minha própria. Anos 90, tão perto e tão longe...

Pena eu não ter nada do Biagio Antonacci em casa... hoje, eu queria ouvir "così presto no". Essa canção sempre tocou meu coração mas nunca pude acreditar naquelas palavras. Estava ocupada demais sonhando sozinha. Hoje, eu a ouviria com todo fervor. O mesmo com que Biagio a canta:

" NO, CHE NON E'
LA TUA ULTIMA STORIA D'AMORE
NON DIRLO MAI
E NON ESSERNE COSI' CONVINTA
NO, CHE NON E'
IL TUO ULTIMO GIORNO DI SOLE
NON DIRLO MAI
E FINISCI DI FARTI DEL MALE"

Eh via la domenica!

sexta-feira, setembro 09, 2005

Mancada

Ando tão fora de forma pra aceitar paquera que exagerei...
Me sinto ridícula. O gato que tava miando no telhado mal tirou a primeira telha, coitado e eu já fui logo jogando pedra. Fui má. Descontei no cara boa parte do ressentimento que tava remoendo! Enfim, besteira da grossa..

Reconheci meu erro e pedi desculpa mas ele nem tchum até agora...
Ok ok ele tem tooodo direito de ficar ofendido lá no canto dele (é de leão então deve ter ficado mesmo jururu) mas ser civilizado também não custa, né? Minha consciência tá pesaaaaada... odeio isso. O cara fica parecendo mais legal do que realmente é, sabe? A dor da culpa é flórida.

Vou ficar aqui sentada e rezar pra não fazer besteira das próximas vezes. Preciso pegar a manha da coisa de novo. Tô mesmo destreinada. Até a semana passada se me passavam cantada eu nem olhava. Como é mesmo que eu fazia antes? Nem lembro mais. Mas, cruz credo, ficar encruada dando patada em todo mundo que se aproxima, eu não vou não! Eu heinn... Logo eu que sempre detestei quem se faz de gostoso por mais de uma semana! Mulher interessada, depois de uma semana, tem que conversar ou acaba com as unhas, o cabelo resseca, a pele fica uma droga...

Então, isso vale pra homem também. O gato ofendido tem mais uns dias pra se recuperar antes que a minha sensação de culpa passe. E se não se recuperar, paciência...

Como diria Vasco Rossi : Amanhã vai chegar de qualquer jeito.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Acabou

Estes dias minha vontade de escrever sumiu. Aliás, minha vontade de pensar sumiu. Todas as minha vontades desapareceram. Saí de mim e fiquei de fora olhando enquanto a mudança começava.

Um dia, a gente acorda mais cética e finalmente vira a página. Nesse dia, coisas, pessoas e períodos inteiros se vão... mesmo aqueles que a gente tentou deter, prolongar, eternizar.

Não sei se um dia eu vou conseguir me livrar completamente dele mas sei que há dois dias já não tenho nenhuma esperança de vê-lo voltar e não tenho mais a vontade de continuar a levar comigo quem não me ama. Dizem que a esperança é a última que morre. Então , isso deve significar que a minha esperança de viver o que sonhei sozinha (achando que ele sonhava junto), acabou.

Aí, de repente, me passou pela cabeça a idéia de nunca mais vê-lo e chorei tudo de novo...mas foi diferente. Na verdade, mais que uma página, acho que virei um capítulo enorme, longo, que levou embora tanta coisa que é bom nem lembrar agora.

Queria só ter ficado com aquela disposição pra acreditar antes de duvidar que eu tinha aos 19 anos quando tudo isso começou.

sábado, setembro 03, 2005

Bobagem noturna

- where my true love waits for me -

Tava aqui matutando... de noite, penso cada besteira que só vendo! Mas às vezes, até que tenho alguma idéia legal. Hoje, porém só tô pensando bobagem. Meu mal humor já tava passando no fim da tarde mas passou por completo quando a visita ligou pra desmarcar. Aí, relaxei e comecei a matutar...

Pensamentos românticos pra variar mas misturados com os fatos do dia. Ossos do meu ofício. Até na hora do devaneio, fico pensando na notícia! Pois bem: será que a cidade da Suzanna ainda existe?


É que eu lembrei (essas vitaminas são boas mesmo!) da primeira musiquinha em inglês que aprendi na escola. A famosa "Oh Suzanna!", na qual um apaixonado saía do Alabama e ia pra Louisiana só pra ver a tal da Suzanna. Como várias cidades desses dois estados acabam de sumir do mapa, será que as cidades do casalzinho ainda existem?

O pior é que não conheço detalhes da história da musiquinha pra saber quais são as cidades e me informar!

Putz... detesto ficar na curiosidade :-(

...............................
OH, Suzanna!

"Oh, I come from Alabama
with a banjo on my knee,
And I’m going to Louisiana
where my true love waits for me,
It rained all night the day I left,
the weather it was dry,
The sun so hot, it chilled my bones,
Susanna don’t you cry,
Oh, Susanna,
Oh, don’t you cry for me,
I come from Alabama
with a banjo on my knee,
Oh, I come from Alabama
with a banjo on my knee,
And I’m going to Louisiana
where my true love
waits for me,
Oh, Susanna,
Oh, don’t you cry for me,
Oh, I come from Alabama
with a banjo on my knee,
With a banjo on my kneeeee..."

Sem saco.. e meio má.

Bem que eu queria superar esses assuntos mas essa do Fidel oferecer ajuda médica pro Bush foi show! Sem falar nos países enviando ajuda... hehe...quem diria, Tio Sam!

E o PT que não conseguiu explusar o Delúbio por causa de uma liminar? Eles lá amolando as facas pra cortar fora a Geni e chega a liminar e empata a festa. De morrer de rir! Mas falando sério, se realmente não tirarem o Lula, o Collor vai se tornar o maior injustiçado da história brasileira. Por muito menos, aquele novo rico foi expelido do poder, mataram o Delúbio dele e teve até que sair do país porque a ladroagem nacional não quis acoitar o companheiro! E agora, o companheiro (só se for do Collor) Lula que fez bem pior vai pagar barato? Acho que vai.

Só deu pra pensar no mundo agora. De manhã, fiquei perdida nos meus vãos pensamentos. Ontem, o gato que tava miando no meu telhado foi parar no meu msn - coisinha mais irritante esse programa - e me cantou por quase duas horas. Ele é inteligente (porém fumante), legal, bem sucedido, fisicamente bonito e até deu vontade de me empolgar mas, passada a sensação de superpoder que toda mulher sente quando é pageada, não restou nada. Não abalou! :-(

Tô meio antipática hoje, sem saco pra nada. E o pior é que mais tarde vem visita aqui em casa e tenho que ser sociável... nem pra visita desistir! É uma daquelas pessoas que não aparecem quase nunca. Aí um belo dia liga e avisa que vai dar uma passadinha pra falar comigo. Odeio isso. Nunca consigo dizer que vou estar ocupada. Dá dó e depois dá raiva! Essa gente pensa que sou desocupada. Não que eu não seja... hehe... mas tomar a liberdade de se convidar pra vir me ver é demais! Paciência. Mas já que tô mesmo sem saco pra nada vou falar tão pouco que a visita vai querer ir logo embora. Essa tática quase nunca falha:-)

quinta-feira, setembro 01, 2005

Nem tão velha... infância

Lembrar da infância é como puxar o fio de um novelo... Fico feliz por ainda conseguir lembrar de tantas coisas. Sinal de que meu investimento em vitaminas não está sendo em vão! ;-)

Entrei numa de rever meu passado. Fui lembrar do Mickey Mouse e veio junto todo o resto! Essa garotada de agora com Pockemon e o escambau não sabe o que é desenho animado. Dá uma pena deles, tadinhos. Com a tia Carla Perez no pedaço eles não sabem nem o que é um balão, muito menos um balão mágico! Eu sonhava subir com aquele balão e ficava rezando pro balão nunca cair com o Fofão dentro. O Tobby até podia cair mas o Fofão e o Jairzinho (adorava a voz dele) não!

Lembrei que quis conhecer a galinha magricela que botava ovo sem parar e que era o hit nos meus primeiros aniversários! Achava estranha a letra da música, daí a curiosidade. Depois, veio a Xuxa e melecou tudo. Custei a engolir aquela nave brega baixando na minha tv todos os dias de manhã. E a voz de taquara rachada da loira então? Horas difíceis mas eu resistia pelos desenhos.

E passei a concentrar minha atenção no Chacrinha no sábado à tarde e nos seriados. Amava o Jerry Lewis (era apaixonada pelo Dean Martin) que passava antes do Chacrinha e adorava "I love Lucy" que passava, se não me engano, as oito da noite, todos os dias no SBT. Assim que acabava, meu pai, anarquista porém tirano meigo, desligava a tv e mandava a tropa, ops, os filhos pra cama. Mas não sem antes escovar nossos dentes. Só pra ter certeza de que não ia gastar com dentistas, meu pai escovava os dentes dos filhos com precisão milimétrica. Escovação, fio dental, fluor no final e bronca de vez em quando porque eu vivia tentando comer um pouquinho de pasta de dente :-)

Quando vejo esse revival dos anos 80, com festas temáticas, sites e mais sites com listas intermináveis de coisas que existiram somente naqueles anos, me dá um aperto no peito. Igualzinho ao que eu senti quando meu pé começou a ficar apertado dentro do meu tênis conguinha branco tão lindo e querido. Sensação de tempo passando, de ter que deixar coisas caras pra trás sob pena de não sobreviver se não cedesse ou, o que é pior, de sobreviver com o pé esmagado...

Morro de medo de esquecer os momentos bons da minha vida. Aliás, foi por isso virei adepta das vitaminas ;-)

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Momento de saudosismo incurável (e de homenagem ao meu conguinha)
"...
Se enamora
E fica tão difícil
De ir embora
E às vezes escondido
A gente chora
E chora mesmo sem saber porque
Se enamora
A gente de repente
Se enamora
E sente que o amor
Chegou na hora
E agora gosto muito de você."

Sinal dos tempos

Vendo ontem nos telejornais da noite as imagens de New Orleans debaixo d'água e do desespero no Mississipi senti um nó apertar a garganta. Todos aqueles lugares de New Orleans, onde o ragtime - parte importante da trilha sonora da minha infância - nasceu e cresceu, foram pro fundo! :-(

Ok. A desgraça das pessoas que perderam suas casas entristece mas o nó deu quando imaginei a música, expressão da alegria delas, submersa, perdida.

E o velho Mississipi, hein... pior que o velho Chico, o teimoso. Os velhos bluesmen já diziam que é vingativo aquele rio. Mais uma dura lição que nós, ditos humanos, estamos por aprender: não contrariar a natureza. Deus bem que podia ter colocado isso na tábua que entregou a Moisés. Mas pra alguma coisa essa desgraça vai ter que servir. Quem sabe agora, às custas de muitas mortes, os USA decidam exergar o acordo de Kioto com outros olhos? Uma droga esses países superpoderosos... meia dúzia de grupos sai ilesa e o povo é que se ferra no final. Cá como lá, as consequências chegam primeiro pros mais fracos. Não querendo ser rancorosa mas já sendo: tenho a impressão (certeza) de que o povo americano se esquece do "resto do mundo" quando vota, acho que desgraças assim talvez possam , no final das contas, dar uma sacudida nesse povo.

Não peguei livro nenhum pra ler ontem à noite. Fiquei lembrando dos desenhos animados que eu via na infância. Aqueles velhos, os primeiros do Mickey Mouse, com o ragtime sempre ao fundo, com festas nos celeiros, coros de ratinhos cantando, ratinhas gordas em vestidos de bolinha e chapéus com flores cantando, parodiando as divas do jazz e do blues americanos, sacudindo os quadris no ritmo da música. Sim, eu vi esses desenhos. A década de 80 permitiu essas coisas. Na falta de coisa melhor, a tv nos anos 80 permitiu que a minha geração herdasse boas coisas das décadas anteriores: 70, 60, 50 e até mais pra trás.

Meu pai - meu anarquista preferido - também ajudou a manter o ragtime na minha mente. Louco por jazz e blues, ele me dá música de presente até hoje quando ouve a coleção de jazz em vinil... também gosto de blues mas era o jazz que me contagiava por causa da associação com as imagens engraçadas dos desenhos. O jazz me dava alegria, principalmente aquele jazz de New Orleans, sentido, engraçado, deboxando das dores, misturando as raças; um jazz crioule como Sidney Bechet.

Por quê esse Katrina não passou no Colorado ou no Ohio que o parta, sei lá... ou em um daqueles estados americanos inóspitos?! Tinha que atingir justo o sul ?! Sacanagem isso, viu. Tô de mal com São Pedro!

Mas sim, além de ver telejornais, eu vivo... ou, pelo menos, eu tento! E isso está cada vez mais difícil. Acho que vou ter que ganhar o mundo de novo e logo. Talvez em dezembro se meus bolsos permitirem. Tive uma proposta em Milano, cidade que não me agrada muito. O trabalho também não é lá essas coisas. É um trabalho temporário de novo. Um caso a ser pensado. Não decidi nada ainda. Mas lá pelo menos eu ganhava relativamente mal e vivia relativamente bem. Aqui, eu ganho relativamente bem e vivo relativamente mal. Quem mandou Einstein inventar essa relatividade...