domingo, julho 23, 2006

De partida...

Amar é bom mas amar e ser amada é muito melhor! Parece frase de livro de auto ajuda mas, antes disso, é fato.
Minha mala está quase pronta. Amanhã, à esta altura, já vai estar fechada. Mais uma vez, deixo meu quarto, minha casa, meus amores. Vou lá ver o que me chama e espera. E escreve, telefona, pede, declara, sorri...
Já estive mais nervosa... ontem. Agora, parece que o nervosismo passou mas sei que quando acordar amanhã, meu estômago vai fazer greve. As partidas me tiram a fome e o sono mas não perdoam a minha coluna. Arrumar a mala é sempre uma trabalheira! E acompanhando o cansaço virá o medo das longas horas enfiada em aviões.
Mas vai ser bom ver o céu de Lisboa mesmo que por pouquíssimas horas, sentir o burburinho de Roma invadida pelos bárbaros turistas, ouvir a cantoria de vozes na minha Napoli... e depois descansar os olhos no golfo mais lindo da Itália... aquele de Salerno!
Este blog está oficialmente fechado para balanço da estação.
Dou notícias assim que puder. Espero poder em breve ;)

sexta-feira, julho 21, 2006

Berlinetta azul

Acho que este espaço está ficando com cara de reminiscência e não sei mais o que fazer para não cair na mesmice da nostalgia. Acho até que já caí. Putzzzz...

Mas vou escrevendo os textos que acontecem e nada posso fazer se há períodos - infelizmente longos - em que me pego rememorando até os detalhes de dias que se foram. Ultimamente, isso é uma constante... bem constante mesmo!

Acho que é porque tenho pensado muito nas crianças de hoje e nessa infância meio solitária que os pequenos nascidos dos anos 90 pra cá têm tido que viver.

Repleta de jogos eletrônicos violentos ou complexos, com pouca árvore para subir, poucos rios por nadar, poucas manhãs a correr com os amigos, poucas brincadeiras a imaginar, poucos papéis e tintas para colorir a vida; essa infância que vem redundando em muitos adolescentes problemáticos, com laços afetivos frágeis e em jovens cada vez mais individualistas e fúteis.

Não que a minha geração tenha gerado somente pessoas politicamente conscientes mas pelo menos, antes, nós sabíamos olhar em volta e procurar os porquês, ponderar, questionar, protestar, ir para a passeata se fosse preciso.

Meia entrada nos ônibus, nos cinemas, em eventos, direito ao voto em conselho escolar; tudo isso veio de lá, dos 30 anos que se foram 70, 80, 90. E a geração atual que não sabe de onde veio o que tem, não dá o devido valor e já começa a perder direitos adquiridos.

Juventude enfraquecida além de desorganizada...

Isso tudo aí é falta de uma boa bicicleta na infância!!! Falta uma Berlinetta azul como era a minha. Falta de asa pra voar! :)

domingo, julho 16, 2006

Shemá...

Quando Israel se corrompeu, foi entregue ao Egito para que aprendesse o caminho de volta para o Altíssimo.
Mas parece que, com o tempo, a lição virou lenda e a história parece querer repetir aquele capítulo.
Ariel, pressionado pelos EUA - que não podiam gastar mais dinheiro financiando a segurança de Israel porque estão gastando muito em suas próprias tiranias no Iraque - foi obrigado a conter a sede de poder dos ortodoxos. Estranhamente, Ariel saiu de cena com doença estratégica e não pode concluir o plano que começara com a desocupação de Gaza.
Agora, dois soldados servem de motivo para que os ortodoxos avancem novamente contra inocentes.
Como não confio em líderes políticos - e grão de areia que sou - tenho mesmo é que rezar... muito!
Ps. Tirei a hagadá porque quem não lembra lição não lê hagadá.

sábado, julho 15, 2006

Hoje

medo, medo, medo... mas com coragem!

quinta-feira, julho 13, 2006


Queria falar dele como se deve e contar como é bom tê-lo por companhia desde que dei por mim neste mundo e, quiçá, até antes!
O rock pra mim é mais do que um gênero, estilo ou andamento, mais do que os rótulos todos que lhe deram ao longo dos anos. Acho que o rock foi um dom que Deus deixou cair do céu para libertar, para sempre, a espontaneidade que o mundo tinha esquecido ou perdido em algum lugar, na miséria das guerras talvez.
Foi com o rock roubado do rádio alheio que meu pai distraiu-se da fome muitas vezes e, anos depois, foi com o rock que ele nos acalentou. Foi com os rockinhos doces que minha mãe aprendeu a dançar e esqueceu, nas tardes de sábado, no salão da Igreja, as tristezas que tinha então. Minha mãe também nos acalentou com baladas. A preferida dela é "I Should Have Known Better", dos Beatles. Cantava até a versão melosa em português! ;)
Graças ao rock meu irmão venceu a timidez e tornou-se um tagarela. E foi ouvindo rock que eu e ele aprendemos a cantar juntos e com os amigos nas escadas da escola.
Vida longa ao rock'n roll!

quarta-feira, julho 12, 2006

Preparativos...

Alguém dizia que partir é um pouco como morrer e sofria quando tinha que arrumar as malas mesmo que estivesse indo para as férias desejadas. Eu não sofro por partir. Sofro por quem fica. Porque tenho sempre a impressão de que aqueles que amamos devem estar sempre ao nosso lado. Ou nós devemos nos manter ao lado, ao alcance da mão... e, na vida, nem sempre pode ser assim. Sofro por isso não tanto por ansiedade.
Chegou a hora. Tenho que começar a me mexer. As malas, as compras por fazer, detalhes para marcar, enfim... lá vou eu. Dois anos depois, com algumas cicatrizes novas e a velha mania de acreditar que quando o coração manda - bem mandado - devo obedecer.
O plano é mirabolante. O sonho é o mais doce que tínhamos guardado. O medo é enoooorme! Mas, como diz aquela canção da qual eu nem gosto: "é cedo ou tarde demais pra dizer adeus, pra dizer jamais."

domingo, julho 09, 2006

BRAVA AZZURRAAAAAAAA!!!
FEDE, FORZA, MAGICA E STORIA!
Bello! Desde os brilhantes anos 80 do futebol brasileiro, quando ainda jogavam Zico, Socrates, Careca, Casagrande e outros; eu não tinha o prazer de ver uma partida emocionante ao lado de meu pai e meu irmão. Hoje, estivemos sentados só nós três no sofá. Mas não cabíamos bem. Agitação. Indignação. Ansiedade. Esperança. Alegriaaaaaaaaaaa!!! Uma lágrima suprimida nos olhos de meu carcamano favorito. Esta partida valeu a copa.

Ps. Addio, Francia!

quinta-feira, julho 06, 2006

O futebol da mãe

Há vinte anos, vinha tentando, sem sucesso, explicar para minha querida mãezinha o que é um impedimento. Há oito, tentava explicar a diferença entre Dida e Cafu, e que nem todo centro-avante se chama Dunga. Não obtive sucesso aí também.
Mas eis que a seleção portuga chega às semifinais e minha mãe, antes de acabarem os primeiros 45 minutos de jogo, percebe vários impedimentos, refere-se aos jogadores e suas respectivas posições com os nomes certos e... que emoção (!)... sabia até o nome do goleiro!
Não sei se estou orgulhosa ou se sinto-me enganada! :(

Mauser

Quando tinha 11 anos, depois de ler a biografia de Trotsky e umas coisas sobre a revolução russa, descobri, por acaso, no canto da prateleira, um livro de autor alemão. Era teatro e não compreendi, de pronto, o motivo pelo qual meu pai o havia deixado na "prateleira da revolução."
Não gosto muito de teatro e não sei o porquê. Gosto de ler peças mas vê-las encenadas não me apetece. Foi folheando o tal livro que achei o que é, talvez, a única peça que gostaria muito de ver encenada... mas nunca vi.
Hoje, na ronda dos blogs, também por acaso, esbarrei em algo que puxou o novelo e revi o percurso daqueles dias. Mal chegava da escola, me lançava sobre a cama, ainda de uniforme e lia, lia e relia... e era como se eu estivesse lá, de cara para o muro, esperando o fuzilamento.
E me perguntava como a revolução poderia também ter sido para tantos, culpados e inocentes, sinônimo de morte quando deveria ter sido libertação.
Mas estávamos em 1991 e, desde 1989, eu já conhecia mais ou menos a resposta.
(...) pois o nosso semelhante, não é nosso semelhante e nós não somos nossos semelhantes, a própria revolução não é coerente consigo mesma, mas o inimigo, com unhas e dentes, baioneta e metralhadora, inscreve em sua imagem viva seus traços medonhos e suas feridas cicatrizam em nosso rosto (...)
Mauser - Heiner Müller - tradução: Reinaldo Mestrinel.

quarta-feira, julho 05, 2006

Ainda futebol

Árbitros... foi-se o tempo em que sabiam o que estavam a fazer em campo! Hoje, na dúvida, jogam ao lado da França.
Vitória sem honra tem sabor? Zidane deve saber a resposta.
E como nesta casa é pecado deixar sugo no prato ou sardinha no gelo...
espero que a nacional portuguesa chegue à final...
afinal! ;)

Esperya

Tapetes vermelhos estendidos no tempo, rios de história, montanhas de amor, vales, atalhos e abismos de nostalgia. Parece que foi ontem, ou pior, parece que foi hoje. A carroça, a procissão, depois, os pés no chão, o porto de partida; todo o mar de incertezas. Da terra amada só resta o próprio corpo.
Na cara, as marcas de todos os passos dados até aqui; a fronte alta, o nariz empinado por força do orgulho da história que o corpo enverga, as mãos talhadas para o trabalho e para a oração, os pés fincados na realidade e a alma que se derrama em todas as artes; assim, em cada filho, um pedaço dela renasce, sobrevive e frutifica.
Olho para as velhas fotos e me vejo diluída neles. Ou será que são eles que estão concentrados em mim?

terça-feira, julho 04, 2006


Quanto mais vejo telejornais e leio jornais impressos, mais dou-me conta de que jornalismo de verdade é artigo de luxo, não chega às bancas e tampouco aos canais abertos de tv...

Ilustração: Steven Pattison

segunda-feira, julho 03, 2006

Os melhores anos das nossas vidas

Noi non faremo come l'altra gente
questi sono e resteranno per sempre
i migliori anni della nostra vita
(...) stringimi forte che
nessuna notte è infinita!
I migliori anni della nostra vita...

I migliori anni della nostra vita (Morra-M.Fabrizio/ Renato Zero 1995)

Realmente, nenhuma noite é infinita... nem as melhores, nem as piores. Aliás, felizmente!

domingo, julho 02, 2006

En arrière, France!

A vitória do futebol francês (ou terá sido a vitória triunfante da burrice do Parreira?) fez muitos jornais europeus dizerem mais asneiras do que de costume. E esse - além do ventre de onde saí - é mais um motivo para torcer muito mas muuuuito mais por Portugal!
Aliás, minha mãe está toda faceira com esse reforço na torcida... hehehe... É nessas horas que comprovo que meu sentimento (e sofrimento) de tríplice nacionalidade vai ser mesmo eterno.
E na final? Torço por quem?
Por hora, só sei que torço contra a Alemanha e contra a França, é claro! ;-)

sábado, julho 01, 2006

Sentimental

Andava apressada nas ruas estreitas repletas de gente - não sei andar devagar no comércio - e entre os gritos dos vendedores ambulantes e o burburinho de conversas e palpites sobre o jogo de mais tarde, ouvi o som que vinha da loja cheia de televisores na vitrine. Algumas notas e meu peito encheu-se de ternura.
Nunca pensei que a palavra armas pudesse provocar tanta ternura. Parei na esquina e com os pés plantados nas pedras portuguesas da calçada, cantei baixinho a Portuguesa. Exatamente, como ontem, sozinha na sala de casa, não consegui evitar cantar Fratelli d'Italia.
Não é porque é tempo de futebol.
Ando mesmo assim...